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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

guardar

Ela usar seus dentes de brincos de pérola; a pupila, de pedra no anel; o cabelo, correntes de ouro dezoito. Jogar bola com aqueles seios. A tristeza um filme - o bilhete a pele de pétala. O kit inteiro uma luva para coceira.

Ela tirar os brincos e pôr de volta na boca. A pupila de volta no olho. O cabelo lavado, pintado, a preço de peruca mesmo. O seio embaixo da blusa - o filme não saiu, a pele podia ser epiderme mesmo, a coceira passou.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

aged 8 obesos_meses

Usando uma vela de metáfora, dizia a mina (porque era uma guria de 13 anos): “eu tenho de queimar, todos tem de queimar”; inda que recepcionava a mensagem com seriedade digna das metáforas e das religiões ou de quaisquer assuntos espitiruais e poéticos (terreno fértil das metáforas) e mesmo concorde ao clima fraternal da missa católica, um por cento da minha exegese ria-se ao associar o discurso à rosca: "todos temos de queimar”, “o padre queima”, “sem queimar não somos gente".
A bobagem (e a potencial piada) tem seu escaninho garantido (paralelo aos demais, especialmente ao assunto principal da hora, e sempre pronto a cruzá-los) no pensamento, por mais que seja apenas de sessenta por cento.

Assim como indubitavelmente a pulsão sensual: mesmo numa missa, num funeral, num defunto etc.
Talvez a única poderosa arma contra isso seja o amor paterno (e sua versão original e arrasadora – o materno).
Mas isso nem é o caso de se discutir agora. Dispenso a discussão, fico com o assunto: criticava teoricamente os pais que abandonam tudo pelos filhos: o que envolve desde postar fotos no Orkut exclusivamente com a criança e todas as possíveis da criança sozinha, até inscrever a filha no balé, inglês, piano e defendê-los com unhas e dentes sem lograr atingir uma distância de olhar neutro e, a mais grave conseqüência, esquecer-se de si mesmo – quebrar a barreira do egoísmo fundamental.
Mas o “como sabê-los?” da questão deu-me um tapa de luva ou soco no queixo com uma pequena demonstração já subentendida no diminutivo da alcunha padrinho.

Minha crítica era teórica. Aliás, é da crítica ser teórica, ser cri-cri, ser fria, finalmente ser o contraponto à gratuidade da estética do emocionante; é o que lhe impede de escrever encontros em aeroportos no final do filme e mais infinitesimal e subjetivamente harmonizar criações em geral. A crítica é teu pai, ou teu amigo, ou tua mãe, ou teu mordomo assassino lhe aconselhando a largar a vaca pela qual se apaixonaste – mas que é linda e parece gostar tanto de ti.

Sou rigoroso com os critérios para o adjetivo “melhor” (e sonho um dia em não ter mais que usá-lo, inutilizando-o sob o foco nas características – o tal “nem melhor, tampouco pior, apenas diferente”), sempre o relativizando e apelando a termos como “mais importante”, “destaque”, “para mim” etc. inda mais numa questão como os bebês, que como os cachorros são bonitos todos, e talvez os nomes próprios e talvez sejam as coisas todas feias e bonitas na mesma medida conforme o contexto – mas o que não disse e me coçou a goela (margem para os dez, vinte por cento) era que Manoela é o BEBÊ MAIS LINDO DO MUNDO.



sábado, 27 de novembro de 2010

rj_ Comentário óbvio e s/ pretensões estéticas

Usamos os tanques, hein! Os blindados também. Já saiu daqui uma equipe do BOPE e - garanto - ouvimos tiros hoje. As bandeiras brancas estão acenando para o Globocop - e são de negros e de favelados - garanto - é a voz da comunidade - até flamenguistas são. Mais de duzentas pessoas foram presas e muitas mais serão - e sairá logo, logo mais um presídio, grandão, segurança máxima. Os repórteres têm de usar colete à prova de balas, precisa mesmo - garanto. E esses subumanos do tráfico estão fugindo que nem ratos - e sim, eu assisti ao Tropa 3 e, sim, há um Che Guevara estampado num bíquini de 300 paus. Nosso arsenal é muito mais forte do que o deles. Garanto que eles estão FODIDOS.

Mas quem quiser hoje à noite fumar uma bomba ou numa festinha massa dar uma cheirada numa carreirinha, tranquilinho, sem fazer mal a ninguém, comprará de quem? Ou se instaura uma tolerância zero aos usuários (o que incomoda a palavra liberdade) ou então LEGALIZA, LEGALIZA JÁ (fora as ações permanentes nos períodos de paz no Rio, na entressafra do caos, que mesmo em minúsculas têm efeito caps lock). E, como disse Lydia Gabellini (não sei se ela que disse originalmente, mas ela disse), “se chegamos em casa e ela está inundada por conta de uma torneira aberta, o que fazemos primeiro? Secamos o chão ou fechamos a torneira?” pode até não ser tão simples, mas a violência maior é o TRATAMENTO UNILATERAL dado pela IMPRENSA BRASILEIRA (e de forma organizada: repórteres, âncoras, entrevistados) nos últimos dias a isso tudo. Que medo de perder a Olimpíada.

*tão somente me junto ao coro sem microfone que sabe o que tem de ser feito e sabe por que não é feito.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

sabe o__jeito

******ATENÇÃO********
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Esta mídia dinamicamente atualizável (DETESTO a palavra blog, mas é isso) voltará a funcionar com uma freqüência (válido até 2012) mais freqüente. Quem for parceiro estou no facebook.com/joaogrando e aquela coisarada toda (flickr, twitter, youtube etc.) c/ o alias joaogrando _ sou relativamente nerd para deixar a parada relativamente atualizada - mas relativamente malandro p/ usar a palavra parada e relativamente idiota para pensar em palavra parada em movimento ou movimento pela palavra parada. Mas isso - e "isso" é aqui este blog (aqui) voltará, numa conotação se pá até meio 'VOLTOU', como eu voltei ao futebol e ao jiu jitsu etc. após 4 merdas de longos meses em fisioterapia - "João voltou! Dom voltou!" naquele ritmo - sabem o jeito (olha a malandragem aí, gente).
Por ora, uma amostrinha da VÁ0 vindoura, seqüenciando (até 2012) a já sabida VÁ#-1 [http://bit.ly/va-1].

DEUSOLIVRE tri bonito.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ponderação_bobagem [troca de emails]

Troca de e-mails hoje (em ordem cronológica):

From: João
Sent: Thursday, October 28, 2010 11:41 AM
Subject: Notícia do dia


http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/news/2010/10/27/261083-jovem-tatua-penis-de-40-cm-nas-costas-de-amigo-e-vai-preso

De: Leandro_Antpack
Enviada em: quinta-feira, 28 de outubro de 2010 12:13
Assunto: RE: Notícia do dia


Um Penissssssssshhhh!

Na sua opinião o que é mais homossexual?

1. O Ying Yang com dragões voando ao redor?
2. Um pênis Total40 com legenda "I am gay"?

Hummmmmmmm, to na dúvida.

Daqui a pouco o amigo fez um favor só salientando um desejo obscuro, não dá pra saber.

From: João
Sent: Thursday, October 28, 2010 2:31 PM
Subject: RES: Notícia do dia

Que bela ponderação, Quinho.
Teu argumento é tão forte que eu também fiquei na dúvida.
Talvez um pênis de 40 cm com a legenda "I'm gay" não seja assim tão homossexual. Parece-me algo mais simpatizante.
Até porque o I do I'm gay pode ser o tatuador, já pensaram nisso?
As costas do amigo são simplesmente um terreno livre p/ idéias, uma folha em branco, ou mais que isso, uma folha colorida, que não tem preconceito para com a declaração dos cidadãos, sejam eles homossexuais, índios e até mesmo negros E africanos.

De: Espingarda
Enviada em: quinta-feira, 28 de outubro de 2010 14:35
Assunto: RE: Notícia do dia

Pelo que entendi além de considerer os homossexuais como cidadãos, tu considerou também os negros E africanos.... Que caráter, que pessoal nobre que tu é... não discrimina nenhuma etapa da evolução humana. Um ato tão nobre só poderia ter vindo de ti, o elo perdido da evolução humana.

De: João
Enviada em: quinta-feira, 28 de outubro de 2010 14:38
Assunto: RES: Notícia do dia

O índio é o melhor amigo do homem, jamais esquecerei isso.
Nós bisões mereceriam o mesmo respeito por parte dos seres humanos.
O homem veio do Bisão, sabemos.
Não fosse eu, o elo perdido, ter ficado em pé e me mantido ereto com a força de minha coluna, talvez estivéssemos em árvores hoje em dia e não num processo eleitoral limpo como o é este o da urna eletrônica.

Bobagem não pode ter limites. Então a mãe dos outros, chamar deficiente de aleijado, tudo vale. Porque se se avacalha a si mesmo mais do que tudo, primordial e conceitualmente.
Só p/ ter aquelas linhas politicamente corretas após o que se seguiu. A gente tem amigo gay, tem amigo negro e nem lembra que eles são isso, porque isso é igual a ser casado ou não etc. é somente característica (no cu dos outros – brincadeira hahahah), evidentemente. Porra, evidentemente mesmo, nem sei porque falo isso. Quem não tiver cérebrou e julgar alguém por causa disso (vale p/ as 'piadas' e p/ as características) que vá A PUTA QUE OS PARIU (mas se for pensar, puta também não é problema, mas fica a mensagem).

Aliás, se começar com essa de publicar troca de e-mails com bobagem - BÁ.
Em breve A HISTÓRIA DOS PÔNEIS.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A blogosfera já era / A vanguarda da celebridade


Voltei a escrever na coluna Cultura Saturada do OPS!, com este texto já escrito há mais de ano, tanto que o assunto meio que já passou - se bem que não passou não. Leia, se puder.Seguem trechos.
Aqui o texto completo
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"A blogosfera morre.
Porque a blogosfera funciona analogamente ao mundo das celebridades, a ‘celebrosfera[?]’: há gente que está lá por algo (Roberto Carlos, Ronaldo, Caetano); há gente que está lá simplesmente por estar [star?] (BBBrothers e afins), sem abrir mão de toda aquela pseudo-crítica blá-blá-blaiana anexada de bombardeio ao segundo grupo. Porém, uma vez na celebrosfera, está-se lá pelas propriedades da celebrosfera (as coisas do mundo real não importam – os gols do Ronaldo, as músicas do Caetano): lá se respira como eles respiram, como ser um astronauta em Marte – a casa tem suas regras."



"Para o ser humano a memória curta é mais selvagem: ver uma moça nua rapidamente é uma experiência mais marcante que ver uma foto sua.
Há milhares de mulheres belíssimas rodando o mundo diariamente em sites como Chagrin. Mas ver uma ao vivo, inda que muito mais meio boca do que as outras é uma experiência insubstituível, a realidade é ainda imbatível.
Até porque a imagem (uma foto de mulher nua) é apenas um dos componentes da realidade, já que ao vivo o tamanho da mulher, ambiente, cheiro e, mais que tudo, a dúvida (não se sabe exatamente o tamanho dos seus seios, não há como mensurá-los posto que a imagem é muito rápida) nos propõe uma experiência muito mais excitante (e não somente na conotação sexual), memória genética dum tempo em que não havia como significar as coisas.
Como as diferenças entre ver um tigre numa enciclopédia, num zoológico e numa selva."

ANTES ERA BLOG E BIG BROTHER
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