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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

dú.vi.da_da_vi.da:_dá.di.va?

Tudo é passível de debate, ponto de vista; e nem é preciso acreditar neste mistério evidente elucidado nos grandes ensinamentos esotéricos: as coisas em seu funcionamento mesmo se reservam versões, impossibilitam uma não rarefeita verdade; como dispensar a maravilha potencial em cada possibilidade que há em tudo, em qualquer infinitesimal vibração?

Há uma sintonia precisa entre quaisquer coisas que se preferem ou em qualquer coisa preferida. E talvez aquilo que parece uma sensação evoca uma dimensão inteira, que transborda da sua camada e emerge delicadamente do ciclo padrão, na forma de sutilezas que nos põe em pequenos xeques eventuais, e nos inquirem justamente a certeza: será que eu tenho certeza? Será que eu tenho, então, certeza? Será que abro mão da languidez da verdade para criar (crer na, fechar-me na) minha própria?

Tudo é possível certeza.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

fly away

VOAR A-CAMINHO
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Escuta-me:
minhas orelhas são asas
porque eu posso ouvir
minhas mãos são asas
porque eu as uso
eu desenho asas
porque minhas mãos eu as uso
meus pés são asas
porque eu corro o mais rápido possível
porque eu ouço
meu mp3 são asas

Minhas axilas são asas
porque eu não quero mais tomar banho

Eu acho que você se foi
porque [no fundo] eu acho que você voltará


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

guardar

Ela usar seus dentes de brincos de pérola; a pupila, de pedra no anel; o cabelo, correntes de ouro dezoito. Jogar bola com aqueles seios. A tristeza um filme - o bilhete a pele de pétala. O kit inteiro uma luva para coceira.

Ela tirar os brincos e pôr de volta na boca. A pupila de volta no olho. O cabelo lavado, pintado, a preço de peruca mesmo. O seio embaixo da blusa - o filme não saiu, a pele podia ser epiderme mesmo, a coceira passou.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

aged 8 obesos_meses

Usando uma vela de metáfora, dizia a mina (porque era uma guria de 13 anos): “eu tenho de queimar, todos tem de queimar”; inda que recepcionava a mensagem com seriedade digna das metáforas e das religiões ou de quaisquer assuntos espitiruais e poéticos (terreno fértil das metáforas) e mesmo concorde ao clima fraternal da missa católica, um por cento da minha exegese ria-se ao associar o discurso à rosca: "todos temos de queimar”, “o padre queima”, “sem queimar não somos gente".
A bobagem (e a potencial piada) tem seu escaninho garantido (paralelo aos demais, especialmente ao assunto principal da hora, e sempre pronto a cruzá-los) no pensamento, por mais que seja apenas de sessenta por cento.

Assim como indubitavelmente a pulsão sensual: mesmo numa missa, num funeral, num defunto etc.
Talvez a única poderosa arma contra isso seja o amor paterno (e sua versão original e arrasadora – o materno).
Mas isso nem é o caso de se discutir agora. Dispenso a discussão, fico com o assunto: criticava teoricamente os pais que abandonam tudo pelos filhos: o que envolve desde postar fotos no Orkut exclusivamente com a criança e todas as possíveis da criança sozinha, até inscrever a filha no balé, inglês, piano e defendê-los com unhas e dentes sem lograr atingir uma distância de olhar neutro e, a mais grave conseqüência, esquecer-se de si mesmo – quebrar a barreira do egoísmo fundamental.
Mas o “como sabê-los?” da questão deu-me um tapa de luva ou soco no queixo com uma pequena demonstração já subentendida no diminutivo da alcunha padrinho.

Minha crítica era teórica. Aliás, é da crítica ser teórica, ser cri-cri, ser fria, finalmente ser o contraponto à gratuidade da estética do emocionante; é o que lhe impede de escrever encontros em aeroportos no final do filme e mais infinitesimal e subjetivamente harmonizar criações em geral. A crítica é teu pai, ou teu amigo, ou tua mãe, ou teu mordomo assassino lhe aconselhando a largar a vaca pela qual se apaixonaste – mas que é linda e parece gostar tanto de ti.

Sou rigoroso com os critérios para o adjetivo “melhor” (e sonho um dia em não ter mais que usá-lo, inutilizando-o sob o foco nas características – o tal “nem melhor, tampouco pior, apenas diferente”), sempre o relativizando e apelando a termos como “mais importante”, “destaque”, “para mim” etc. inda mais numa questão como os bebês, que como os cachorros são bonitos todos, e talvez os nomes próprios e talvez sejam as coisas todas feias e bonitas na mesma medida conforme o contexto – mas o que não disse e me coçou a goela (margem para os dez, vinte por cento) era que Manoela é o BEBÊ MAIS LINDO DO MUNDO.



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