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quarta-feira, 24 de julho de 2013

C.A.M.PEÃO

Sei que há assuntos bem mais relevantes no momento (aliás, sempre há, comparativamente ao assunto a ser tratado sempre há, só a existência da Faixa de Gaza garantiria isso, ainda que me refire à relevância aqui relativamente o que é digno de se discutir seriamente, porque, sabemos, a relevância é uma questão relativa e particular, como quase tudo), mas falarei de esporte, de futebol.
No esporte, especialmente no futebol, erige-se uma blindagem moral na condição de torcedor que nos permite exorcizar todo bairrismo, sensacionalismo, parcialidade e preconceito que seriam hediondos se praticados na vida real.
No fim das contas, sempre foi nas arenas que o povo mais vociferou seus julgamentos mais rápidos e impensados, exercitou seu lado deslumbrado e se permitiu manipular. Ou talvez pelo menos nelas, nas arenas, é onde esse instinto de massa nunca foi problema. 

Vi um vídeo de um fato ao qual não acompanhara à época: no campeonato brasileiro de 2010, após o jogo Cruzeiro e Corinthians, o técnico Cuca bateu na mesa durante a coletiva de imprensa, quase chorando, emocionado; no meio da sua entrevista, eles recuperaram o lance que lho indignou: um pênalti mal marcado em cima do Ronaldo, que minutos depois converteu a penalidade e levantou seu dedinho comemorativo.
O que me espantaria, não fosse o que justifiquei anteriormente, é que não ficou na boca do povo a injustiça gritante (e talvez, ou provavelmente, dolosa), mas a reclamação do Cuca, que foi ridicularizada: Cuca é chorão; Ronaldo, foda.
É como se o mandato fosse ainda dos deuses gregos, corruptos, que promoviam o destino por favores, forjavam heróis; ou ainda a dinâmica dos bandos animais, onde um alfa leva tudo e o restante fica com a sobra. Como se esses deuses, ou curiosamente seus inversos evolucionários – então esses primatas -, comandantes do destino (eram os deuses cartolas?) quisessem a imagem na TV de um Ronaldo decisivo triunfando, a qualquer preço.
Mas o Ronaldo, logo o Ronaldo precisava disso? E nós somos tão fanáticos pelos vencedores a ponto de os assim considerarmos mesmo a qualquer preço?

Pois falando em preço, as premiações não são reflexos dos merecimentos: não necessariamente os melhores filmes levam o Oscar (aliás, na minha análise crítica, isso é raríssimo acontecer).
Foi sim, como o Cuca disse à época, um trabalho posto abaixo, era de se chorar mesmo, era de quebrar tudo mesmo.
E a reação a isso talvez separe quem aprecia o esporte de quem aprecia (consome) o espetáculo.

Esta dissertação somente surgiu por ter se germinado num lampejo de seriedade em meio à dominante descontração com que o assunto é tratado, à qual costumeiramente acato. Essa exceção que permitiu originá-la é para explicar a outra exceção seguinte: eu, conscientemente praticando meu teor de irracionalidade num tema não tão importante, sempre detestei todos os times que não o meu, a ponto de torcer por argentinos em vez de brasileiros, a ponto de afirmar, evidentemente com responsabilidade proporcional à plausibilidade, que se jogasse inter vs. Nazistas, eu torceria pelos nazi; inter vs. Caçadores que Matam Tigres para Fazer de seus Caninos Viagras Placebianos, eu torceria pelos criminosos. Secar o próximo, sempre, eis o mandamento. Mas hoje, inda que o Ronaldinho (e é mandamento tricolor gaúcho detestá-lo) esteja no lado deles, minha torcida, especialmente devido ao já há anos merecimento do trabalho do Cuca, será pelo Clube Atlético Mineiro. Torcerei sim, não como se fosse o Imortal, mas como se fosse o Brasil, hoje dar-me-ei o luxo de relaxar mentalmente e não questionar a chamada galvãoziana da Globo – hoje o Galo vingador é o Brasil: yes, we CAM.

[O vídeo em http://bit.ly/cbnqOa]

sexta-feira, 5 de julho de 2013

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Série de trabalhos (as páginas de joao~grando em jpeg - jg,pg_jpg) a qual eu modesta e particularmente gosto muito: a ansiedade com que foram feitos, hoje vejo, foi um dínamo para a espontaneidade e experimentação; gosto dos grafismos, da exploração de um desenho feio, da composição, da derrotinha de cada episódio sumaríssimo.
A maioria, talvez todos, são de 2009. Bem diferente do que tenho feito (devo/pretendo apresentar em breve), mas quero retomar esses elementos que me gracejam nisso de agora. De qualquer modo, esses A3 e A4 underdogs com cara de rascunho merecem todo o destaque que lhes darei agora (+ no Flickr):

Spiderman [pg,jg,jpg_9] matador DSC03948 marypoppins_style DSC03475 #allineedislove #1
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jg_jpg_pg 3 [RELÂMPAGO LOUCÃO]

♥

hole _ _ _ _ casal

decepcionar_eh_foda






quinta-feira, 13 de junho de 2013

CELULAR LIGADO DERRUBA AVIÃO

Imaginem um vôo em que as bagagens de mão se desloquem no compartimento, em que máscaras de oxigênio caiam do teto e que haja uma criança ao seu lado para você pôr em si mesmo antes de ajudar a criança; um vôo em que seja preciso operar a porta de emergência e usar seu assento flutuante - e isso tudo você estava fumando no banheiro - agora, você acha que no fim de tudo, já no bote salva-vidas, a AEROMOÇA NÃO IA DIZER "EU FALEI PARA PRESTAREM ATENÇÃO, PORRA!"? Diria sim. Aposto. E de repente fá-lo-ia mandando uma banana para quem fica lendo a revista do Duty Free enquanto ela aponta onde se acenderão as luzes de emergência.

Eu vos questiono: vocês já decoraram as instruções? JÁ DECORARAM AFU? Já se garantem? Pauta do Fantástico (com simulação feita pelo Zeca e tudo). Sugerirei. Globo, Renata, Tadeu, Glória Maria, estejam preparados.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

IT'S ITA

Estive na Europa. Vi o livro de registro de casamento de meu tataravô com minha tataravó no lugar onde ele nasceu. Fiz 3 gols em 2 vitórias do meu time PIFC com parte de meus melhores amigos. Vi Deus (Capela Sistina), vi o melhor do homem (Museu do Vaticano), conheci parte da Itália. Pisei na neve pela primeira vez na minha vida. Estive fora do Brasil idem. Realizei sonhos. Conheci famílias lindas. Como é muito para relatar, relatarei depois, cada coisa no seu setor, com calma. Por ora, fotos da viagem no álbum do Flickr. 


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2013_25/25-06/02 Itália, um álbum no Flickr.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Condomínio fechado, segurança 24h

Sei que a intenção é boa, que a revolta tem uma substância civil autêntica, então se sentir ofendido com as palavras seguintes advirto que se trata de debate, de opinião, nada pessoal: mas um dia gostaria de ver alguém que espalha aqueles memes dizendo que irá deixar de trabalhar para viver com o bolsa família e/ou auxílio reclusão e/ou o recente auxílio aos viciados em crack deixar sua vida de classe média/classe média alta (palpito convictamente que 90% dessas mensagens vêm desses nichos) para viver no bairro e na casa de quem ganha bolsa família, viver como vive um viciado em crack (morar na rua e ser invisível para a sociedade e cair nas drogas é quase como não seguir um regime no contexto da classe alta em termos de tentação e falta de autocontrole) ou passar uma semaninha na cadeia ganhando esses nem mil reais por mês: QUERIA VER DEPOIS DISSO SE ARRISCAR A OPERAR O PAINTBRUSH PARA FOMENTAR MAIS UMA DESSAS MENSAGENS SEMIFASCISTAS.
É engraçado que quando uma pessoa que não tem o que comer nem onde morar (e não raro não teve nenhuma chance de mudar isso) passa por nós na rua, ninguém se impressiona que se trate de um ser humano; a surpresa vem somente quando esse círculo vicioso culmina nalguma agressão à límpida e segura rotina do pagador de imposto, que se revolta e exige rigor máximo contra aquele animal que lhe incomoda, ao passo que reclama brandura a qualquer preço na cobrança de seus impostos (sonega, inventa consultas, divide a antena da TV).
Evidentemente não falo de casos extremos, pois não temos de nos basear nas exceções, embora não possam de maneira nenhuma ser desprezadas. Mas a generalização revela uma falta de empatia quase inacreditável para o nosso nível de civilização, uma blindagem da própria pele, preguiçosa, acomodada, sem a delicadeza originada no nosso polegar opositor, sem a relatividade incontornável cercante de todo assunto.

Corrupção


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