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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Ídolo (-) pedestal = indivíduo

Uma dose constante de iconoclastia sempre faz bem a fim de equilibrar o deslumbramento e euforia estimulado pelo sensacionalismo com que os assuntos são tratados num corpus coletivo. E essa dose põe no devido lugar gente como Senna. E gente como Michelangelo, Shakespeare, Machado de Assis, Picasso, Beethoven, Einstein, Jesus, Galileu, os Beatles etc. 

Após a queda de um pedestal estranho ao corpo do indivíduo, temos então logicamente somente o corpo e assim sua altura correta – e seus lugares continuam brilhantes, geniais; mas não mais mitológicos. Porque a mitologia nos faz anabolizar episódios para justificar a super-humanidade dos feitos – que em verdade não são feitos únicos, mas destaques erigidos de uma rede de atenção que os isola de feitos semelhantes. Beethoven não é Beethoven porque compôs surdo; é-o porque compôs o que compôs, com muito trabalho, desejo, esforço e inspiração. Michelangelo, Einstein e Picasso não partiram do zero – digamos que eles chegaram a um 10 e que antes dele muitos construíram um caminho até o 9,5, 9,8. Jesus poderia ser Jesus mesmo sem que necessariamente tenha sido preciso ressuscitar. Somos, sempre fomos, todos humanos. 

E essa humanidade, essa igualdade teórica de potencialidade entre todos os que já existiram é que deixa seus feitos ainda mais brilhantes, embora menores – como rubis verdadeiros, com suas pequenas impurezas, ante enormes e homogêneas pedras rubras de bijuteria.

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