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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Esboços

Em breve divulgo mais imagens, inclusive a obra para o qual esses estudos foram preparados. 
 




sábado, 12 de outubro de 2013

be bebê


Para mim, genial é a criança escalando uma árvore, correndo atrás da sombra etc., em detrimento da que “USA-O-TABLET-QUE-NEM-UM-ADULTO-DIGITA-TUDO-PRECISA-VER”. 

A precocidade é o fim da criatividade selvagem da infância, do pouco tempo que nos resta com um exercício de pensar visceral, não pontuado por uma linguagem sistemática, por regras de ordenamento, ou exigência de funções específicas para movimentos, raciocínios, emissão de sons. 

Que graça tem o dedo exatamente no ponto da tela do ecrã que aguarda cumprir uma função comum a qualquer toque de dedo ou qualquer outra coisa? Um dedo na tomada, no olho, no cocô do gato é muito mais fértil para as excitadas sinapses novatas. E o azul? Ver o azul (ou qualquer outra escala vibracional da onda de luz) sem saber que ele é o azul, a cor do céu? E o rosto de alguém, reconhecer o rosto da alguém apenas pela imagem (que àquela altura é simplesmente é uma sensação captada pelos olhos preenchendo todo nosso cérebro, nem se sabe ser imagem) do rosto, saber ser ele alguém sem saber o nome que usam para chamar aquele alguém? 

Bebês, gritai. Haverá tempo de sobra para falar depois.

[publicado originalmente em 17/01/2013 no facebook.com/joaogrando]

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Porque VALE MUITO A PENA me seguir no Instagrando (@jgrando)


Assim como há as fontes serif e as sans-serif (sem serifa), e também as monospace (mono-espaçada) e as não, deveria haver uma terminologia para as fontes cujo 5 é o 2 ao contrário, cujo l minúsculo é igual ao i maiúsculo, cujo w é efetivamente um m ao contrário; o número a seguir, por exemplo, só seria descoberto a partir do sentido e quantidade da rotação padrão de fotos digitais (90°) utilizada, o que é impossível deduzir. É um 52 ou um 25? Intrigante. Na dúvida, é um S2. PEACE

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Do que diz, sem dizer, a dor

A dor física é a percepção incontornável de que algo existe, é o deslocamento da consciência da cabeça para o local doído, como se ali, e não mais o cérebro, fosse o centro de operações das impressões individuais e, portanto, o centro do mundo. 

É, por exemplo, o ligamento anular ilíaco mostrando, sem a intermediação de linguagem, que ele está ali e que dele se descolaram algumas fibras que antes silenciosa e obedientemente faziam seu trabalho rotineiro. 

É a dor que nos dá a oportunidade de abandonar a nossa mente extraterrestre e, uma vez anulada a suspensão causada pela sua criatividade fomentadora de sentidos, pousar efetivamente no mundo físico e saber-se (na linguagem desse mundo habitado, portanto sem linguagem) compulsoriamente pertencente – e tanto a ponto de clausura – a ele, a este mundo dominado por colisões químicas e conflitos permanentes de energia e vibração.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Superjoão

Como sabemos, arriscar é deixar o sólido e louvável caminho do sucesso ao optar por uma estreita ponte rumo à glória, ou, melhor dizendo, à ambição de, ou, quando muito, sugestão de glória; evidentemente, uma vez ponte, uma vez estreita, anda lado a lado (com seus dois lados, aliás) com o abismo, oferecendo a estatisticamente provável queda (não à toa a palavra fracasso, de significar o som de algo em queda, tornou-se sinônimo oficial, para além de sua eficaz metáfora, de malogro: o baque, como qualquer coisa que nos toma totalmente o controle, como qualquer coisa conduzida unicamente por uma força essencial da natureza, é uma das mais altas formas de libertação, quando opcional, mas o momento ápice de nossa incapacidade diante do contexto específico oferecido pelo mesmo momento, se compulsória).

Mas cada um sabe ou decide onde e aonde pode caminhar, e se ali pode correr ou seja lá qual outro movimento tão propenso a metáforas. 

“Ah, mas o João é concursado e vem meter esse blá-blá-blá”, alguns devem estar pensando; sim, sou-o, mas me arrisco, estou me arriscando paralelamente, num ansioso (por urgente) processo de risco. O serviço público é meu Clark Kent metafórico, um João de desnecessários óculos metafórico escondendo um João de capa metafórico, voador. 
E, a despeito da incontornável piada (a qual eu indubitavelmente faria se lesse este texto escrito por outrem) da cueca por cima do colã metafórica, há sim um símbolo que supera o indivíduo, supra-homem, que nada mais é do que sua origem extraterrena potencializado pela estadia na Terra, pelas possibilidades deste generoso planeta. 

Adiante, a cada passo completado, a sensação de que a estreita ponte era também um caminho sólido, tanto quanto o que se faz de casa à padaria, de que era apenas uma questão de zoom, ou, melhor, do caso do caminho crescer até seu tamanho adulto e ajustar sua proporção em relação a nós, de que o risco nada mais é do que um exame de ingresso para onde se devia estar, a porta da grade do zoológico para a selva destrancada, porém fechada. O Superman é a verdade, não um disfarce. 
Se voar, para o alto e avante. 
Se cair, para o fundo, sem escolha, mas, depois, novamente avante. 



(A foto não precisava, mas, sei lá, precisava sim.) 

JOÃO GRANDO
ÃOJO DRAGON
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