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terça-feira, 24 de junho de 2008

s. (sim, sem, são, ser) joão

S. João


= sem João; sai, João (já ouvi muito); sim, João (nem tanto ouvi); som, João (se fosse DJ); sir João; saco, João etc.



Ser João.




Bach, d´arc, do Pulo, Lennon, Cruyff, Guimarães Rosa, Ford, Paul Jones, Cabral de Mello Neto, Simões Lopes Neto, Gilberto, Wolfgang von Goethe, Jack, o estri(estu)p(r)ador do bairro Whitechapel, Jack, o Nicholson, Carpenter, Coltrane, Connor, -Batiste Debret, -Luc Godard, Nash, Vermeer, Pessoa, Evangelista, Batista, Paulo II, II de Valois, o bom, rei da França, s/ braço, bobo, Ivan IV, da Rússia (ou IVan), Jacques Rousseau, Bardeen, Locke, Henri Dunant, Travolta, Depp, -de-barro, Brion, & Maria, & o Pé de Feijão.


Eu sou e eles também


são João.


quinta-feira, 19 de junho de 2008

sobretudo sob nada

4ºC em Canoas anteontem. 4 “cê”, 4 centígrados. 1, 2, 3, 4, mais nem um. Lembro-vos que a água (aquele líquido que bebemos um pouco para ñ morrer e muito para viver) congela, vira pedra, vira em cubos uma ferramenta para gelar a própria água com quatro pontos menos. Imaginem no Chile, nos Andes, na Antártida, em Dublin há uns meses atrás.


Os poucos Celsius mudam a paisagem, mas, no caso de Canoas, sob cujo céu durmo e muitas vezes acordo, sobre a qual não neva (mas já nevou na década de 50, segundo os velhos) muda mais a paisagem vetorial, que são os seres, vivos, obviamente, mas também porque não os mortos que talvez durem um pouco mais (?).


Ex.: mulheres. Um padrão se determina: põe-se mais roupas. Umas aproveitam para ficarem ridículas, outras para ficarem capas de revista. Isso se se falasse como o povo pensa, pois é o que os olhares (refiro-me aos olhares de intenções instintivas, ditas más, e não àqueles que tiram das coisas outras coisas que não estão tão evidentes (sim, a poética etc.)). As “ridículas” se parecem crianças, bebês cheios de roupas, empacotados com o CUIDADO FRÁGIL que nem na propaganda antiga. E não raro usam moletons do Mickey falsificado (ou moletons falsificados do Mickey verdadeiro).


E assim elas ficam bonitinhas (que não é feia bem arrumada como dizem, é bonitinha, um bonito não tão urgente de consumação, ou ainda uma consumação homeopática).


Então não só uma questão de invólucros: a beleza está também na disciplina de se erigirem indefectíveis e assíduas numa manhã que começaria só ao meio-dia de acordo com a vontade dos cobertores (um acórdão, pelos comentários hoje foi foda sair da cama das pessoas); há também na insegurança em não sair mais desarrumada, na noção estética da escolha das roupas ou ainda na manipulação das tendências captadas em revistas ou noutras moças. Ou está justamente no ponto contrário, no desprezo a isso tudo, ou numa esfera ainda mais relativa na boa ou má sorte da exceção: não só a de quem não teve tempo e saiu um dia com um ramelo gelado no olho ou um ranho congelado no nariz, como também a da virada para lua de quem resolveu sair bem para arrasar (a partir de) hoje (no caso, naquele dia, dia 17 de junho).


E, claro, sobretudo no que está sob todas as roupas, e em como estas todas sobre ela influenciarão na noção que se terá sobre ela quando ela estiver sob nada (s/ sobre ela que ia ficar bagaça a fu).


Uma orelha não pode ser alterada. E poucas coisas o podem numa mulher, especialmente sem um intervalo de tempo devido, que é o existente entre vê-la com e sem roupa, geralmente. Nestes dias frios, a nudez é como a menor boneca de uma boneca russa, abaixo de vários outros modelitos que se revelam conforme o dia fica menos frio.


Sob nada elas seriam o que são. Sob nada que elas podem guardar surpresas. Pouco muda, neste caso (nesta paisagem), devido ao estado atmosférico: uma veia, uma coloração mais ou menos rosada ou vermelha por causa da temperatura. O que muda é a temperatura mesmo, o humor, e aquelas coisas que os olhares (não os instintivos, não o do pessoal que olha as bundas como eu deixei subentendido com a palavra instintiva umas linhas (quiçá parágrafos) acima) captam. E, voltando ao visualmente, tudo o que ela fez e escolheu antes, pois a nudez só fica nua depois de se despir do que provoca, do que a faz se fazer necessária.


POSTS PARECIDOS:


NUDEZ


NUDEZ APARECIDA


ROUPAGEM

magali perde o posto

ATENÇÃO: garota + melancia não dá mais Magali no Gooooooogle/ Yahoooo!!! etc.






Aliás, a PLAYbOY não teve muito o que tirar.



quarta-feira, 11 de junho de 2008

choro, dou-lho

Chorar, ao inchar, aumenta o olho de quem chora.
Incha o olho de quem olha o choro, como,
ao se inchar, infla a dor de quem o inchou e olhou-o.


E embora o(s) olho(s) inchado(s) diminua(m) a visão
tampouco adiantaria o contrário:
o olho inchado não enxerga
o que não é choro ao seu redor.


12/6=2


*Somente um comercial de um escrito antigo (2004) propício para um dia propício a quem quiser se romantizar (e romantizar-se vai muito além do buquê, é apaixonar-se pela vida, despeitemos a pieguice da frase isolado e adentremos na abundância de seu significado). Mas o que é para dizer é que, como 12 do 6 por causa da barra usada p/ data dividido dá igual a 2 (a menos que eu esteja muito desatualizado em matemática), sê um só neste dia (e em todos os outros), sê um só: tu mesmo, a despeito dele ou dela, que sendo um se poderá somar. E, sendo apenas um, há mundos só para dois, que com a outra parte só existe, onde quer que encontre e quando, uma vez por semana, uma vez na adolescência, todo santo dia já de manhã: deste mundo só os habitantes entendem. Aí sim, dois em um. Aí sim, dói sem um. Naquele mundo dói, a todos, que talvez o mundo se extinga, mas ao menos já esteve. Sê um, mesmo que para ser um preciso de outro. Ou dois ou um. Ou um ou outro.

terça-feira, 10 de junho de 2008

indiana joão

Antes de tudo, este título merece uma paródia a ser mais explorada. Mas já vale por enquanto.



É sobre Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (como se suspeitava desde o princípio). Sobre isso, iniciara eu um esboço mental ilustrando a ilustração do plano inicial, em que um carro cheio de jovens sendo guiado doidamente invade o espaço de uma frota militar guiada organizadamente: mudanças, o novo invadindo o velho, mas um velho que se mantém, um velho conotado de antigo, velha guarda, e não de ultrapassado. Mas, ao ler algumas críticas, vi que tudo o que está no filme já está bem marcado: a paranóia dos EUA; a visitação às propriedades originais da série, especificamente a relação estabelecida com o primeiro filme (e segundo aventura cronológica) da trilogia do século passado; o conflito ceticismo x mágico (sintetizado conceitualmente pela anamorfose que faz da ponte invisível no desafio final de A Última Cruzada, como disse aqui); as pontuações de época; um potencial não aproveitado plenamente; a afirmação da ação acima da realidade, criando um espaço de violência e risco lúdicos, como homenagem à ação e o que ela representa em cinema; o retorno a ícones de cinema, como Clint fez n’Os Imperdoáveis consigo mesmo, buscando o real de sua personagem lendária, e como Stallone e outros fizeram recentemente; a mitologia mesmo e a micro-mitologia de Jones, o universo mesmo e o micro-universo de Jones etc.



Só não posso ouvir o filme é longo demais. Isso pode até ser certo, mas é o tipo de crítica que não gosto de ouvir, simplesmente não gosto. Que ele tenha explicações desnecessárias, cenas repetidas, mas um filme nunca é longo demais. Todo diretor deve chorar algumas cenas cortadas pelo nobre trabalho do montador.



Mas eu tirei o melhor do filme: recebi um presente do meu subconsciente ou adquiri uma capacidade ainda não dominada de escolher os sonhos (o que talvez dê no mesmo): eu me sonhei como Indiana Jones.


S/ chapéu, s/ chicote, s/ estes clichês, mas numa aventura. Mistérios revelados. Queridos entes juntos, salvando-os. Ovos de dinossauros, dinossauros. Emoção de verdade que não acontecem de verdade. Tudo dando certo no final. Fugindo da morte, pulando quando se precisar pular, socando quando se é preciso (mas não necessário somente, vontade sempre).



Tanto no filme quanto no sonho, sabe-se que no final não se vai morrer. Então é um jogo de fugir da morte.


E no sonho, tem-se a sensação de que crer que não se morrerá é ser imortal.



E ontem pela manhã chovia (tal qual o mar num céu com furos de Saramago) aqui em Canoas-RS (precisaríamos de canoas, se eu fosse de trocadalhos do carilho (como este por si só sintetiza a babaquice (no bom sentido) deste método)) e, para ter dinheiro, é preciso vir p/ repartição colaborar com/ lutar contra a fama que os funcionários públicos têm.


E depois do sonho de ontem...


eu não nasci p/ isso.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

trezentos quilos de leveza


“Nur manchmal schiebt der Vorhang der Pupille/ sich lautlos auf -. Dann geht ein Bild hinein,/ geht durch der Glieder angespannte Stille -/ und hört im Herzen auf zu sein.”


Der Panther, Ranier Maria Rilke


 


 


 


Trezentos quilos de leveza


num pequeno mar de carne que


olha as grades


e pensa ver nestas estranhas listras


tão retas


um sinal de evolução


de um tigre bem maior


que oprimiu sua agressividade


sem fazer barulho algum ou mesmo se mexer.


 



Lanço um olhar de quem só pode olhar


e, sem saber pôr no papel,


tiro uma foto


 



deste poema bem maior que


lança um olhar de quem só pode olhar


e, sem querer rugir,


boceja.


 


 


 


João Grando


 


(embora como disse tudo aqui escrito é meu, a não ser se indicado o contrário, como o caso do Rilke acima, parece-me que havia de se acabar este com meu nome (ou parte dele que é de todo João Ricardo Lopes Grando) embaixo).

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