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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Meteoro de Gaza

Mesmo a ciência, que – numa definição simplória – teoricamente se fundamenta em observações comprovantes, gera conflitos de opiniões e consequentes correntes, o que dizer dos assuntos de humanidade? O mais sensato seria assumir a relatividade inerente a eles e estabelecer um campo comum e dessa sobreposição sintetizar o que há de bom e eliminar o que há de ruim (mas o que é bom e o que é ruim?); mas talvez isso seja desumano, e humano seja o desafio de tomar partido em meio a tantos fatores, consagrar a escolha, o livre arbítrio, que é algo que nos distingue das demais espécies.

Mas é um processo complexo, no há que se levantar constatações. Ou simplificá-lo na confiança que se pode dar ao que chamamos coração, embora ele possa se (e então nos) enganar. E não sei se o meu se enganou, mas quando penso no Oriente Médio, penso sempre no sofrimento que deve ser viver na Faixa de Gaza – claro que pensar em ambos os lados me traz de volta à tona o que haveria de responsabilidade nisso, no que Israel não poderia deixar de fazer e no que se romantiza dos que são vítimas em proporcional demonização dos que têm poder.

O fato incontestável é que se há paraísos na Terra para os quais podemos ascender por alguns dias mediante o pagamento de algumas prestações e comprovar com fotos e souvenires, há também alguns infernos diluídos no nosso vasto território e a Faixa de Gaza é um deles; ao contrário dos paraísos, não precede escolha.

Tudo isso resultou na produção do vídeo abaixo em 2011, que, a seu modo, segue atual: a melancólica constatação do impossível (talvez seja sempre melancólico tal movimento) e a celebração de sua possibilidade apenas estética, para que a ilusão guie nosso coração e talvez nossa escolha, nossa escolha humana.



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